Em 26 de fevereiro de 2026, nossa sócia Danielle Farah Ziade moderou uma conversa entre Humberto Pires Terra Filho e Juliana Salvador, sobre Governança de Conflitos: como a cultura empresarial define a estratégia em disputas, promovido pelo Canal Arbitragem.

Os principais pontos desenvolvidos ao longo da conversa foram:

“A cultura ela não deságua na forma como você lida com o conflito, mas ela interfere antes, na maneira como você deseja que aquela relação se dê.”

A cultura não é o que está escrito nos manuais, mas a forma como as decisões são tomadas no dia a dia. Ela se manifesta antes mesmo de qualquer conflito surgir, na escolha de clientes, na definição de parceiros e na intenção que se coloca ao construir as relações, sejam elas de longo prazo ou não.

“Na hora que você define os seus nãos, você alinha os seus comportamentos em direção àquilo que você não deseja.”

Quando a liderança estabelece com clareza o que a empresa não tolera e quais riscos não está disposta a assumir, cria-se um alinhamento interno que antecipa problemas e reduz a probabilidade de litígios. A prevenção começa muito antes da assinatura do contrato.

“O conflito tem custo. Ele tem custo financeiro, mas ele tem custo emocional, ele tem custo reputacional, ele tem custo de imagem no mercado.”

No setor de infraestrutura, ficou claro no debate que não se pode olhar apenas para o lucro imediato. A lógica é outra: não se vive apenas da obra atual, mas da próxima. Por isso, a construção de relações de confiança e a manutenção de uma “mesa aberta” para o diálogo são fatores estratégicos para a continuidade do negócio.

Também foi tema da conversa a importância do registro técnico. Documentar corretamente não deve ser “preparar para a guerra”, mas proteger pessoas, criar memória institucional e reduzir subjetividades. O registro deve servir para organizar e prevenir conflitos, não para alimentá-los.

Ao final, discutiu-se como o futuro da governança de conflitos em infraestrutura aponta para disputas menos acirradas e mais administradas ao longo do contrato. Cresce a adoção de instrumentos como Dispute Boards, ritos de quitação periódica e uma gestão contratual multidisciplinar que integra áreas técnica e jurídica desde a pré-engenharia. A sofisticação das ferramentas de due diligence também influencia esse movimento: o histórico de litígios das empresas é cada vez mais transparente, tornando a reputação um ativo decisivo para participar de grandes projetos que exigem previsibilidade e parcerias duradouras.

Fica a reflexão: Em um mercado onde a reputação é um ativo valioso, tratar o conflito como uma ferramenta de gestão e de aprendizado interno, é o que diferencia as empresas que realmente prosperam a longo prazo.

Tenha acesso ao episódio completo através do link: https://lnkd.in/dr2zEqTH.