Em setores de alta complexidade, como engenharia, infraestrutura, mineração e energia, o risco faz parte da própria estrutura do negócio, e fatores como incertezas políticas, volatilidade econômica, pressão regulatória e o aumento da judicialização afetam diretamente a execução de seus contratos. Nesse sentido, quando esses fatores não são antecipados nem tratados de forma integrada, o resultado costuma se repetir: perda de previsibilidade, elevação de custos, surgimento de pleitos e a escalada de disputas.

Com o objetivo de lançar luz sobre esse ambiente de incerteza, a partir de uma perspectiva prática, foi realizada uma pesquisa qualitativa com executivos C-Level atuantes no Brasil, reunindo percepções sobre os principais riscos projetados para 2026 sob a ótica da metodologia PESTEL (Política, Econômica, Social, Tecnológica, Ambiental e Legal). O estudo, conduzido pelo Prof. Italo Coutinho e publicado em 15 de janeiro de 2026, não teve como objetivo estabelecer rankings ou previsões determinísticas, mas captar, a partir da experiência desses líderes, quais fatores externos já estão e continuarão moldando o planejamento estratégico, a execução de projetos e a gestão de contratos ao longo do ano.

Os resultados revelam um ponto central: os riscos apontados não atuam de forma isolada.

Ao contrário, compõem um ambiente sistêmico no qual fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais se retroalimentam, ampliando a exposição contratual e operacional das organizações. Essa constatação dialoga especialmente com a importância do planejamento contratual, da alocação adequada de riscos e da adoção de mecanismos preventivos de gestão de conflitos.

A elevada recorrência dos riscos políticos e legais, por exemplo, evidencia um cenário de baixa previsibilidade. Polarização eleitoral, fragilidade legislativa, protagonismo do Judiciário e instabilidade normativa aparecem como vetores que podem impactar diretamente os contratos em geral, mas, sobretudo, aqueles de execução continuada. Em setores como a construção civil e infraestrutura, nos quais prazo, custo e escopo são altamente sensíveis a decisões externas, esse cenário reforça a necessidade de instrumentos contratuais capazes de absorver incertezas, como uma matriz de riscos bem estruturada.

Além disso, essa instabilidade institucional se projeta de forma quase automática sobre o eixo econômico. Juros elevados, custo de capital alto, restrição de crédito e incertezas relacionadas à reforma tributária afetam a viabilidade de projetos e pressionam margens. Quando esses fatores não são adequadamente mapeados na fase de contratação, tornam-se terreno fértil para pleitos, reequilíbrios econômicos e disputas sobre responsabilidade por eventos supervenientes, exatamente o tipo de conflito que tende a escalar quando não existe clareza prévia sobre quem assume cada risco.

A pesquisa também chama atenção para os riscos sociais, tecnológicos e ambientais que, não tão menos ruidosos que os políticos e legais, também exercem impacto direto sobre a execução dos contratos. A escassez de mão de obra qualificada e a polarização social afetam produtividade, cronogramas e a própria condução dos projetos, reforçando a ideia de que muitos conflitos nascem justamente de pequenos desalinhamentos acumulados.

No campo tecnológico, destaca-se a preocupação com o uso acrítico da inteligência artificial e com o aumento dos riscos de cibersegurança, fatores que podem gerar disputas técnicas complexas e exigem mecanismos de resolução e prevenção mais especializados e céleres, como a arbitragem e os dispute boards. Já no eixo ambiental, os executivos apontam que eventos climáticos extremos e entraves regulatórios deixaram de ser apenas riscos reputacionais e passaram a impactar diretamente o âmbito operacional e competitivo, reforçando a importância de uma adequada alocação desses riscos em matriz contratual e de estruturas preventivas de gestão de conflitos.

Em síntese, a análise PESTEL apresentada pela pesquisa reforça uma conclusão transversal: em um ambiente de risco sistêmico, a gestão eficiente deve começar muito antes do nascimento dos conflitos. Antecipar riscos, estruturar contratos com clareza, investir em administração contratual e definir, desde o início, como as controvérsias serão tratadas são decisões estratégicas. Empresas que incorporam essa lógica tendem a não apenas reduzir litígios, mas preservar projetos, relações e valor no longo prazo.

Acesse a íntegra da pesquisa: https://www.italonaweb.com.br/pesquisa-sobre-riscos-em-2026-com-executivos-c-level-no-brasil/